Rajada rápida de rádio é detectada pela 1ª vez na Via Láctea


Fonte: Metro / Reprodução - https://metro.co.uk/2020/01/07/mysterious-alien-fast-radio-burst-deep-space-signal-traced-nearby-galaxy-12015127/

Pela 1ª vez desde que as misteriosas rajadas rápidas de rádio começaram a ser detectadas, cientistas conseguiram capturar um desses fenômenos cósmicos aqui na Via Láctea. A origem do incrivelmente fugaz e enigmático pulso de energia foi traçada até uma magnetar – uma estrela de nêutrons com campos magnéticos superpoderosos – situada a 30 mil anos-luz de distância da Terra e o sinal foi tão intenso que poderia ter sido observado até de outra galáxia.

Enigma

As rajadas rápidas de rádio são, conforme mencionamos, pulsos de energia extremamente poderosos e efêmeros que, apesar de serem observados há vários anos, seguem sendo um mistério para os cientistas. Tipicamente, os sinais liberam uma quantidade de energia que pode ser superior à produzida por 500 milhões de estrelas como o nosso Sol, mas, como eles são aleatórios, dificilmente são seguidos de repetições, têm apenas meros milissegundos de duração e geralmente partem de galáxias situadas a milhões de anos-luz de distância de nós, estudar esses eventos é um desafio para os astrônomos.

Fenômenos fugazes Fonte: The Daily Galaxy / Reprodução
Aliás, foi só recentemente que os astrônomos começaram a descobrir de onde esses pulsos partem, mas ainda existe bastante debate sobre que tipo de fenômeno ou astro poderia estar por trás desses eventos. Entre as teorias apresentadas até agora, sabemos que os cientistas incluíram as supernovas – mortes explosivas de estrelas supermassivas – e até possíveis civilizações alienígenas (vai saber...), assim como as magnetares, ou seja, estrelas de nêutrons formadas pelos remanescentes de supernovas.

Esses astros têm a peculiaridade de serem incrivelmente densas e contarem com campos magnéticos cerca de mil vezes mais intensos do que as estrelas de nêutrons convencionais. Esse efeito é resultado da imensa força gravitacional que mantém essas estrelas coesas – e o resultado é que, além de os campos gravitacionais provocarem distorções no formato desses astros, as tensões entre essas duas forças (a gravitacional e a magnética) podem gerar “estrelamotos” e a liberação de colossais fluxos de energia.

Fim do mistério cósmico?

No caso do pulso registrado agora, embora a sua duração tenha sido de apenas um piscar de olhos, ele foi capturado por diversos radiotelescópios e equipamentos espalhados por todo o planeta no dia 28 de abril, e a sua origem parece ter sido uma magnetar conhecida pela sigla SGR 1935+2154 situada aqui em nossa galáxia.

Na véspera do evento, instrumentos em várias partes do mundo detectaram um aumento de atividade na estrela, mas nada muito fora do habitual. No entanto, no dia seguinte, o telescópio canadense CHIME – sigla de Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment –, focado em rastrear o cosmos em busca de fenômenos passageiros, ainda estava apontado para a SGR 1935+2154 e capturou um sinal tão intenso que o sistema do equipamento sequer foi capaz de quantificá-lo.

Parece que são as magnetares mesmo as fontes dos pulsos Fonte: European Southern Observatory / Reprodução

Além do CHIME, outro projeto, o STARE 2, liderado por pesquisadores do Caltech, nos EUA, e criado exclusivamente para detectar rajadas rápidas de rádio, também registrou o pulso. E não foi só isso: ademais do forte sinal, foi capturada a liberação de raios-X, algo que é bastante comum de se registrar em magnetares, apoiando a possibilidade de que as rajadas tenham relação com essas estrelas e, neste caso específico, tenha sido mesmo produzida pela SGR 1935+2154. Calma lá... “tenha sido”?

Como a detecção dessas rajadas rápidas de rádio ocorreu há poucos dias, os cientistas ainda estão se debruçando sobre todas as observações e dados coletados por instrumentos espalhados mundo afora – e até alguns que se encontram em órbita –, e ainda precisarão fazer levantamentos e acompanhar atentamente a atividade da SGR 1935+2154 para confirmar que o pulso veio de lá, como indicam (fortemente) as evidências até agora.

Além disso, está a questão dos raios-X, pois, como até agora todas as rajadas identificadas tiveram suas origens em galáxias distantes, essa peculiaridade não tinha sido registrada ainda. Mas essa liberação paralela indica que o enigmático fenômeno possa vir acompanhado de outros eventos cósmicos também, o que ajudaria a identifica-los e a desvendar os mistérios que os cercam.

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