Pesquisar

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Seminário discute a regulamentação da profissão de cientista

O seminário “Regulamentação da profissão de cientista” promoveu um debate com parlamentares, professores e representantes da área de ciência, tecnologia e inovação sobre a criação de uma proposta que aprove uma lei para a criação da profissão de cientista no Brasil. O evento foi realizado na manhã desta terça-feira (13), na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).
Para deputados, falta de regulamentação afasta jovens da carreira de cientista. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos DeputadosPara deputados, falta de regulamentação afasta jovens da carreira de cientista. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
De acordo com o deputado Glauber Braga (PSB-RJ), idealizador do evento, o cientista hoje no País pode ser considerado um herói, uma vez que não se consegue exercer a atividade sem ter outro trabalho profissional. “Existem muitos obstáculos para realizar um bom trabalho, como ao baixo valor das bolsas, muito esforço e dedicação. O cientista não consegue sobreviver se for só cientista”, opinou.


Para o líder do PSB, deputado Beto Albuquerque, para se desenhar um cenário positivo aos profissionais da ciência é preciso um comprometimento do Estado. “Os cursos de licenciatura nas áreas de matemática, física, química e biologia deveriam ser públicos ou pagos pelo governo. Que futuro poderia ter um país que forma poucos professores nessas áreas estratégicas?”, indagou.

Albuquerque acrescentou que esses profissionais são poucos reconhecidos e mal remunerados, por isso os jovens evitam a formação nessas áreas e procuram cursos mais rentáveis, tais como direito, administração e medicina. “Estamos perdendo bons profissionais. Se não resolvemos esta questão, como podemos evoluir e resolver os problemas, principalmente os de cunho tecnológico, do nosso País?”.

A questão da seca no Nordeste, para o deputado Ariosto Holanda (PSB-CE), já poderia ter sido resolvida se o Brasil investisse mais nas pesquisas cientifica e desta forma nos profissionais da área. “Acredito que o grande fator da CT&I não ser reconhecida é a falta de uma base educacional. O problema está no ensino fundamental”, explica. Para ele, ciência, tecnologia e inovação começam no início da escola e, infelizmente a política pública não investe em professores para fortalecer esse segmento. “Temos que discutir a cadeia do conhecimento. C&T só será forte quando o ensino fundamental for fortalecido”, observou.

O deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF), que também é o presidente da Frente Parlamentar de CT&I na Câmara, comentou que vai aproveitar o debate para incluir o tema nas propostas de alteração do marco regulatório da inovação. “Sabemos da dificuldade em fazer CT&I no Brasil. Temos que propor mudanças para melhorar o Brasil”, finalizou.

A alterações na leis que regulam as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) estão sendo discutidas na Câmara dos Deputados. Os membros da Comissão Especial conseguiram avançar na tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa alterar os artigos referentes às atividades P&D. O grupo conseguiu reunir 204 assinaturas a favor da proposta.